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Olhemos mais a floresta e menos a árvore

Na Innovatech, vemos a Indústria Brasileira de Árvores com otimismo e os desafios, com certa preocupação.

Do ponto de vista otimista, este segmento deixou a nossa marca no mundo e podemos dizer que são raros os negócios que combinam tão bem a responsabilidade ambiental e a viabilidade econômica com práticas socialmente justas.

Porém, a perda de competitividade, a baixa maturidade do mercado, crises e aumentos de insumos, logística deficiente e problemas com licenciamentos são alguns dos entraves que enfrentamos diariamente. De todos esses itens, precisamos focar, principalmente, em duas alavancas de crescimento com senso de urgência e coragem: a produtividade e a consolidação do mercado de produtos florestais. Em relação à produtividade (R$/m³ ou ton.), dados da Innovatech indicam perda acentuada da competitividade, com custos médios do mercado crescendo acima dos indicadores da inflação.

Neste sentido, exemplifico o direcionador da Innovatech no gerenciamento de orçamentos de nossos clientes. Nossa meta de longo prazo é orientada à construção e à execução de orçamentos florestais abaixo da inflação. Isso só é possível com um processo de inovação organizado e ativo, otimizando constantemente os processos, a cadeia de fornecedores, e gerando um turn over tecnológico eficiente. E, como resultado, uma inflação interna acumulada cerca de 20% abaixo da inflação (IPCA) nos últimos três anos.

Além da perda de competitividade, também verificam-se decréscimos da produtividade florestal (m³ ou ton./ha/ano) em várias regiões brasileiras. Dados da Innovatech indicam que essas regiões impactarão de forma significativa os estoques de madeira disponíveis de mercado, o que poderá influenciar sensivelmente a dinâmica de preços, bem como projetos de expansão e projetos greenfield em análise. É preciso agir, investindo em inovações que simplifiquem o processo produtivo e o tornem mais eficiente, discutindo melhores práticas, cases e visão estratégica de longo prazo. Essas ações permitirão o estabelecimento de novos patamares, que no primeiro momento contribuirão para o resgate da competitividade e, em um segundo momento, na sustentabilidade do setor.

Quanto ao tema de consolidação do mercado de produtos florestais, precisamos de um ambiente mais favorável. Produtores, lideranças, empresários, entidades de classe, academia, governo; todos devemos trabalhar por um mercado mais forte.
O amadurecimento do mercado permitirá que os preços praticados para os produtos florestais sejam alinhados aos investimentos necessários, o que permitirá novos empreendedores e modelos de negócios rentáveis e competitivos.
Certamente uma das soluções passa por desenvolver mais polos verticalizados; regiões capazes de agregar valor à madeira, criando mercados regionais e estimulando os produtores.

Um outro item, que pode mudar a realidade do setor, é uma maior diversidade na estratégia de abastecimento dos grandes produtores de celulose, no sentido de abastecer as fábricas com madeira de mercado, estimulando investidores a plantar. Esse movimento já se verifica no mercado nos últimos anos, mas precisamos avançar. Finalmente, devemos agir com foco em toda a cadeia de valor florestal (ver mais a floresta e menos a árvore), e trabalhar sistematicamente, tendo como guia um planejamento estratégico setorial e com planos de ações muito bem estabelecidos e revisados periodicamente, definindo indicadores, recursos, gestão, responsáveis, comunicação e ações.